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Além do Bitcoin: os ETFs de altcoins chegam para valer (e a Solana cruza US$ 1 bilhão)

Por anos, o único ativo digital com ETF à vista nos EUA foi o Bitcoin — depois veio o Ethereum. Em 2026, a lista cresceu: já existem fundos para XRP, Solana e Polkadot. Os ETFs de Solana acabam de passar de US$ 1 bilhão em patrimônio, e o Morgan Stanley entrou na fila. Entenda o que isso significa — sem hype.

Além do Bitcoin: os ETFs de altcoins chegam para valer (e a Solana cruza US$ 1 bilhão)

Durante anos, falar em “ETF de cripto” nos Estados Unidos era falar de Bitcoin — e, mais tarde, de Ethereum. Em junho de 2026, esse mapa já está bem diferente: o país tem fundos à vista para XRP, Solana e até Polkadot, e a lista deve continuar crescendo. O sinal mais recente veio da Solana: os ETFs ligados a ela ultrapassaram US$ 1 bilhão em patrimônio, e nesta semana o banco Morgan Stanley entrou na fila com um pedido próprio.

Antes de entender por que isso chama atenção, vale recapitular o básico — sem pressupor que você já saiba o que é um ETF.

O que é um ETF (e o que é uma “altcoin”)

Dois termos aparecem o tempo todo nesta notícia:

  • ETF (sigla em inglês para exchange-traded fund, ou “fundo negociado em bolsa”) é um fundo cujas cotas são compradas e vendidas na bolsa de valores, como se fossem ações. Um ETF de cripto à vista (“spot”) guarda a moeda de verdade e seu preço acompanha o do ativo. Na prática, ele permite que alguém tenha exposição a uma cripto sem precisar abrir conta em corretora cripto nem cuidar de chaves e carteiras — bastam uma corretora de ações comum e o ticker do fundo.
  • Altcoin é o apelido genérico para “qualquer cripto que não seja o Bitcoin” (alternative coin). Ethereum, XRP, Solana e Polkadot são exemplos.

Ou seja: a novidade é que o “atalho do ETF”, antes restrito ao Bitcoin e ao Ethereum, agora alcança um grupo maior de moedas.

O que aconteceu com a Solana

A Solana é uma rede de blockchain conhecida por transações rápidas e baratas, e sua moeda (o token SOL) está entre as maiores do mercado. Os primeiros ETFs de Solana à vista estrearam nos EUA no fim de outubro/novembro de 2025 — uma estreia que o site The Block classificou como forte, com cerca de US$ 200 milhões em entradas já na primeira semana de pregão.

De lá para cá, o dinheiro continuou entrando. Os fundos de Solana passaram de US$ 1 bilhão em patrimônio, e um nome se destacou: o BSOL, da gestora Bitwise, que concentrou a maior parte das entradas (em torno de 80%), seguido pelo FSOL, da Fidelity.

O detalhe que mais repercutiu foi a entrada de um banco tradicional: o Morgan Stanley protocolou o pedido para criar seu próprio fundo de Solana. Bancos desse porte costumam só registrar produtos que pretendem de fato oferecer aos clientes — por isso o mercado leu o movimento como sinal de demanda institucional, e não como mera formalidade. Vale lembrar que um pedido protocolado não é um produto aprovado e em funcionamento: é um passo no processo, não a linha de chegada.

O quadro maior: o “cardápio” de ETFs cresceu

A Solana é só uma peça. Veja como o mapa de ETFs cripto à vista evoluiu nos EUA:

  • Bitcoin e Ethereum: os pioneiros, lançados em 2024.
  • XRP e Solana: chegaram no fim de 2025. Hoje já existem sete ETFs de XRP em funcionamento.
  • Polkadot: estreou em março de 2026 na Nasdaq.

Somando todos os produtos negociados em bolsa ligados a cripto, os EUA já têm mais de uma centena deles, com patrimônio combinado na casa das dezenas de bilhões de dólares. Analistas de mercado, como os da Bloomberg, chegaram a estimar probabilidade altíssima de aprovação para novos fundos (de moedas como Litecoin), o que sugere que a fila ainda deve aumentar.

Um ponto importante para separar fato de expectativa: a existência de mais ETFs não diz nada sobre se o preço dessas moedas vai subir ou cair. Em 2026, aliás, vários desses ativos caíram mesmo com os fundos recebendo dinheiro — entrada em ETF e preço nem sempre andam juntos.

Por que isso importa para quem está no Brasil ou em Portugal

Mesmo que você não vá comprar um ETF americano, o movimento importa:

  • Termômetro de adoção: quando bancos e gestoras gigantes passam a oferecer esses produtos, é sinal de que ativos antes vistos como “de nicho” estão entrando no circuito financeiro tradicional. Isso tende a influenciar o mercado global que qualquer investidor acompanha.
  • Referência regulatória: a forma como os EUA tratam esses fundos costuma servir de modelo para reguladores de outros países. No Brasil, por exemplo, já existem ETFs de cripto listados na B3; em Portugal e na União Europeia, o acesso se dá por outros instrumentos (como os ETPs europeus).
  • Menos sobre “qual moeda”, mais sobre estrutura: a notícia mostra uma tendência — a de embrulhar cripto em produtos financeiros regulados. Entender esse encanamento ajuda a não confundir “tem ETF novo” com “vai valorizar”.

O que ainda está em aberto

  • Pedido não é aprovação: o fundo do Morgan Stanley é, por enquanto, um protocolo em análise.
  • Regras ainda em construção: a chamada “estrutura de mercado” para cripto nos EUA — quem regula o quê — depende de leis que ainda tramitam no Congresso. Alguns produtos (caso do XRP) seguem sensíveis a esse andamento.
  • Fluxo muda rápido: patrimônio e entradas em ETF oscilam semana a semana. Um marco como “US$ 1 bilhão” é uma fotografia, não uma garantia de tendência.

Resumo

O mercado de ETFs cripto nos EUA deixou de ser “só Bitcoin”: já há fundos à vista para Ethereum, XRP, Solana e Polkadot, e os ETFs de Solana acabam de cruzar US$ 1 bilhão em patrimônio, com o Morgan Stanley pedindo para entrar. É um sinal claro de que grandes instituições estão tratando o setor com mais seriedade — e de que os EUA seguem ditando o tom da adoção. Ainda assim, vale a leitura fria: pedido não é aprovação, mais ETFs não significam preço maior, e o arcabouço de regras continua sendo escrito. Acompanhar quem entra na fila e o que o Congresso decide é o que vai mostrar se essa onda tem fôlego.

Fontes